NOTÍCIA DE ALUNO ALAGOANO EM DESTAQUE NO JIF

26/05/2010 10:18

JOGOS DOS INSTITUTOS FEDERAIS - JIF 2010

 

Para chegar ao JIF 2010, Carlos Eduardo de Faria Silva (foto), 19, aluno do Instituto Federal de Alagoas (IFAL), percorreu uma trajetória dedicada ao esporte e à educação. A infância de dificuldades na periferia de Maceió não lhe tirou a esperança de “vencer na vida”. A educação profissional lhe proporcionou novas perspectivas. Hoje, ele é aluno do curso superior de Tecnologia em Alimentos e professor de Química e Física numa escola particular. O sonho dele é retornar ao IFAL como professor da instituição.

“O IF foi uma mãe pra mim”, diz o aluno, que se emociona ao contar sua história. Carlos é o filho mais velho de uma família de quatro irmãos. Desde os oito anos, ajuda em casa. Já vendeu pastéis e “geladinho” na feira. Deu aulas de reforço, e descobriu o prazer de ensinar. Aos 14 anos, entrou para o antigo Cefet para cursar o ensino médio. “Eu era um dos únicos alunos que não tinha dinheiro para comprar a farda da escola. Muitas vezes saía de manhã e só comia à noite quando voltava para casa”, conta o estudante, que foi contemplado com uma bolsa-auxílio pela assistência social do campus Maceió. Ele trabalhou durante quatro anos e meio na instituição como auxiliar administrativo.

Carlos teve que deixar a atividade no instituto para fazer o estágio obrigatório do curso técnico subsequente em Química. Mesmo com ofertas para trabalhar em usinas do interior, ele preferiu esperar uma oportunidade na capital para não abandonar o time de handebol do IFAL. O esporte lhe abriu portas e a oportunidade de conhecer novos lugares. Foi a Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santos, e agora Brasília. “Quando eu não tinha dinheiro para participar das competições, meus amigos sempre me ajudaram. No esporte, aprendi o que é companheirismo”, declarou.

Atualmente, ele divide a rotina de estudos do curso superior de tecnologia no IFAL, com o de Engenharia Química, na Universidade Federal de Alagoas. Os pais de Carlos nunca tiveram a oportunidade de concluir os estudos, a mãe é faxineira, o pai é motorista. “Eles nunca me cobraram nada, até mesmo porque não têm a percepção do que o estudo significa na vida de uma pessoa”, explica o aluno-professor que pretende voltar à sala de aula para ensinar o valor da educação.

Texto: Adriana Orrico

Foto: Adalberto Ruchelle

Fonte: http://jif2010.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=144:atleta-de-handebol-da-exemplo-de-superacao&catid=37:ultimas-noticias