Entrevista com os CANDIDATOS A REITOR - JORNAL EXTRA

23/04/2010 11:16

ENTREVISTA COM OS CANDIDATOS A REITOR

JORNAL EXTRA

http://www.extralagoas.com.br/noticia.kmf?noticia=9852803&canal=332

João Mousinho - joao_mousinho@hotmail.com 

No dia 12 de maio o Instituto Fede-ral de Alagoas (IF-AL), antigo Cefet, irá escolher o nome do novo reitor da instituição e os dirigentes das unidades do interior de Alagoas. Mais de 5 mil pessoas, entre funcionários e alunos vão as urnas para escolher o novo gestor do Ifal. Estão na disputa os professores Roland Gonçalves, Givaldo Oliveira e Sérgio Teixeira.

Roland Gonçalves, 58 anos, é candidato a reeleição do Ifal. Com 30 dedicados a Instituição, o professor de educação física acredita que seu modelo de gestão foi bem sucedido nos últimos quatro anos. Durante a entrevista, Gonçalves traçou planos para os novos campi, que deverão ser realizados na capital e no interior. Durante a entrevista, Roland comentou que não se preocupa com as denúncias de corrupção que marcaram o órgão federal.

Givaldo Oliveira, 43 anos, professor de matemática, que trabalha há 13 anos no Ifal, é um dos dois nomes de oposição para pleitear a vaga de reitor. Gilvaldo critica atual administração, dizendo que as bibliotecas são precárias e não existem convênios com empresas e setor público para estágios de estudantes, sistema acadêmico institucional, provocando assim atrasos nas demandas dos serviços pedagógicos. 

O professor de engenharia química, Sérgio Teixeira, 51 anos, faz parte do Ifal há 26 anos e é diretor do principal campus do Ifal, o de Maceió. Mesmo fazendo parte da atual diretoria, Teixeira vai se lançar candidato a reitor. Sérgio relata que as principais decisões do Instituto são tomadas de forma centralizadas e em sua gestão, caso eleito, não vai haver esse tipo de problema.

O jornal Extra traçou uma paralelo entre os candidatos em disputa, trazendo seus pontos de vista. As mesmas perguntas foram feitas para os três concorrentes, para que não haja nenhum beneficio em suas respostas. Veja o raio-X do dos candidatos que disputam o pleito:

Roland Gonçalves

Jornal Extra - Por que o senhor é candidato a reeleição?
Roland Gonçalves - Para consolidar esse modelo de gestão, que vem dando certo nos últimos quatro anos. Inte-riorizar a educação, sempre com a missão mais ampla de inclusão social, com o sentido de transformar a sociedade para melhor.

Extra - Quais os principais problemas do Ifal?
R. G - Que o processo de ensino técnico ficou estagnado cerca de uma década, os alunos que vinham estudar aqui eram atraídos para fazer o segundo grau simples, por que era de graças. Alunos de escolas públicas não tinham como concorrer com alunos que vinham de escolas particulares, muito mais preparados. Agora em 2010, que estamos colhendo dos frutos do ensino tecnológico que foi inserido no contexto do Ifal, estamos formados novas turmas para continuar esse projeto.

Extra - Como resolvê-lo?
R. G - Dar continuidade no que estamos fazendo. Manter atrelado o ensino médio a escola tecnológica, para dar oportunidades a todas as camadas sociais, não só aqueles alunos que viam de escolas particulares, sempre ampliando o leque de oportunidades.
Extra - Quais os compromissos com servidores e alunos?
R. G - Manter o debate, a democracia que estamos vivenciando nesse novo modelo de gestão que essa nova diretoria colocou em prática. Ouvir sempre todos os funcionários, professores e alunos, para colocar a instituição em sintonia de unidade, como estar sendo mantido esse trabalho.

Extra - Seu projeto de expansão (nos municípios alagoanos) do Ifal e quais as metas?
R. G - Temos o funcionamento de quatro campus (Maceió, Marechal Deodoro, Palmeira dos Índios e Satuba), outros quatro estarão prontos até o final do ano. Mas, vamos lutar para implantação de um campus no bairro do Bene-dito Bentes. Esse bairro é muito grande, tem que haver um Instituto na parte alta da cidade, pois se trata de uma necessidade real. Quando estava no comando da reitoria tive algumas conversas com o prefeito Cícero Almeida (PP). Caso eleito vou lutar para que isso aconteça. Outra região que necessita de uma unidade é a cidade de Viçosa.

Extra - Como Ifal vai tratar a série de denúncias de corrupção dentro da instituição?
R. G - Sinceramente, não vou me preocupar com o passado. Sei que várias irregularidades foram cometidas aqui, mas isso deve servir de lição. Quando assumi em 2004, depois de 16 anos de oposição, pude observar que as contas foram todas reprovadas, na minha gestão todas foram aprovadas. A Controladoria Geral da União (CGU) está tomando as providências, do que aconteceu no passado, não cabe a mim decidir sobre isso.

Givaldo Oliveira

Jornal Extra - Por que ser reitor?
Givaldo Oliveira - Ser reitor é, em primeiro lugar, ter a vocação para servir à sociedade como um todo e um de seus segmentos fundamentais que é a comunidade do Instituto, ter compromissos com a educação pública, gratuita e de qualidade, para se alcançar desenvolvimento humano, justiça social, valores democráticos e a promoção da cidadania. Entendemos que o Reitor deve ser capaz de liderar o processo de fortalecimento do Ifal na busca contínua por maior qualidade de ensino e de pesquisa.

Dentre os candidatos, sou o único que atende plenamente ao artigo 12, parágrafo 1°, da Lei 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que criou os Institutos Fe-derais, isto é, entrei através de concurso público em 1996, desta forma, tenho mais de cinco anos na instituição, possuo o titulo de doutor e estou no último nível da Carreira da instituição. Minha candidatura à reitoria do Ifal não é um projeto pessoal. Ela nasceu e se desenvolveu no seio da união de professores, técnicos administrativos e corpo discente, cansados; como tantos outros membros do IFAL; de esperar novos rumos

Extra - Quais os principais problemas do Ifal?
G.O - A falta de planejamento e gerenciamento das ações vem contribuindo para cons-tantes problemas, tais como furtos de equipamentos e material de consumo, além do comprometimento das atividades afins da instituição. Isto tem comprovado a falta de fiscalização por parte dos gestores, provocando a impunidade e a degradação da instituição. Dentre eles: problema de infra-estrutura nos campi, principalmente nos de Satuba e de Maceió, bibliotecas precárias, falta de convênios com empresas e setor público para estágios dos nossos estudantes, falta de um sistema acadêmico institucional, provocando atraso na demanda dos serviços pedagógicos, falta de laboratórios e equipamentos nas áreas de eletrônica, mecânica, gestão ambiental, licenciatura.
Os servidores que efetivamente traba-lham, dedicam-se ao crescimento da instituição e questionam decisões e encaminhamentos errados são desprestigiados pela gestão, quando na verdade deveriam ser mais valorizados.

Extra - Como resolvê-los?
G.O - Criar critérios para a escolha de pró-reitores e demais gestores a partir do perfil necessário para cada função e cargo a serem ocupados, observando a competência, a humildade, a hombridade e o compromisso institucional. Viabilizar e implantar sistema de segurança eletrônico para todos os campi.
Implantar sistema acadêmico online para todo o Instituto para resolver os problemas relativos à operacionalização. Aprimorar, recuperar e ampliar infra-estrutura física dos campi, priorizando condições de infraestrutura básica, urbanização e demais providências que propiciem conforto e bem estar aos diversos segmentos da Instituição. Investir na qua-lificação e formação continuada dos servidores estimulando suas potencialidades.

Extra - Quais os compromissos com servidores e alunos?
G.O - Algumas metas são: estabelecer programa de atualização e qualificação, tanto para o corpo docente quanto para o corpo administrativo, promover o reposicionamento de funcionários de acordo com sua aptidão funcional, qualificação dos servidores do Ifal como estratégia indispensá-vel à criação de condições para a elevação contínua da qualificação dos profissionais do IFAL através de especialização, mestrado e de doutorado, e outros modelos de formação, valorizar os Servidores de acordo com a sua qualificação, reposicionando cargos e funções, incentivar e valorizar as discussões com o Grêmio, DCE e Diretórios Acadêmicos;

Extra - Seu projeto de expansão (nos municípios alagoanos) do Ifal e quais as metas?
G.O -. O IFAL contará com cinco novos campi e duas extensões em pleno funcionamento até 2011. Os campi já estão com obras em andamento nos municípios de Arapiraca e Murici, mas necessitam de maior rapidez, desta forma faremos reuniões com prefeitos e empresários das regiões que serão implantados os novos campi para sanar este problema. A implantação dos campi, no interior do Estado de Alagoas, atende à meta de interio-rização do ensino profissional e que é pertinente à natureza dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. No que diz respeito à descentralização de qualificação profissional e levando em conta as necessidades sócio-econômicas de cada região do Estado, pretende-se evitar o êxodo de jovens e adultos estudantes para a capital fortalecendo o interior, na perspectiva do desenvolvimento sustentável e da integração com demandas da sociedade com o setor produtivo local.

Extra - Como Ifal vai tratar a série de denuncias de corrupção dentro da instituição?
G.O - Com transparência e com rigor na aplicabilidade da legislação pertinente, já que esta é o elemento norteador da administração pública.

Sérgio Teixeira

Jornal Extra - Por que ser reitor?
Sérgio Teixeira - Por ter passado nos meus 26 anos de Ifal por diversos cargos de Gestão voltados para o ensino Ifal: Chefe do laboratório de química, Coordenador de Química, Chefe do Departamento de Ensino, Diretor de Ensino e atual Diretor Geral do Campus Maceió, Eleito em 2006 com mais de 70% de votos, cosequentemente, ter adquirido experiência e profundo conhecimento dos problemas do Ifal e suas soluções.

Extra - Quais os principais problemas do Ifal?
S.T - São muitos problemas para resolver, vou citar alguns: centralização na Reitoria das decisões e ações importantes, tais como: Gestão do orçamento de cada Campus; Compras; Licitações; Empe-nhos; Diárias; Pagamentos, e outros, provocando uma lentidão na tramitação desses processos, ocorrendo até devolução de recursos para o MEC, pela falta de agilização nos mesmos.

Presença da Estrutura da Reitoria no Campus Maceió, utilizando espaços físicos, que estão inviabilizando a expansão e criação de novos Cursos naquele Campus. Sistema de Controle Acadêmico ineficiente e ultrapassado, gerando vários problemas para os usuários e Gestores do Ensino no Ifal. Falta de uma regulamentação da Prática Docente para os professores (Pesquisa, Extensão e Ensino).

Demora na construção dos novos campi da expansão, alto índice de evasão nos cursos técnicos subseqüentes ofertados pelo Ifal e segurança patrimonial ineficiente nos campi.
Extra - Como resolvê-lo?

S.T - Delegando poderes e autonomia aos diretores gerais dos campi, e dotando os mesmos com uma estrutura administrativa para gerir todas essas situações elencadas, agilizar a aquisição ou cons-trução de um prédio para a reitoria fora do campus Maceió, com recursos já definidos pelo MEC para este fim, e se for o caso de construção de um novo prédio que pode demorar, alugar um outro prédio com recursos do também para este fim.

Fazer uma reunião com os gestores do sistema acadêmico e definir um encaminhamento de solução que venha resolver o problema, adquirindo um novo sistema ou investindo no atual, criar uma Comissão para elaborar uma proposta de Regulamentação da Prática Docente e enca-minhar para apreciação e aprovação do Conselho Superior do Ifal.
Agilizar os processos de licitações das obras, e os já licitados e contratados, promover uma fiscalização mais rigorosa junto a essas Construtoras, para que as mesmas cumpram os cronogramas esta-belecidos nos projetos.

Extra - Quais os compromissos com servidores e alunos?
S.T - Compromisso de uma Gestão democrático-participativa no Ifa, envolvendo servidores administrativos, docentes e discentes, consolidar a implantação dos Colegiados de Cursos e Conselhos de Ensino e Pesquisa, estimular uma maior integração entre os Campi, incentivar a formação continuada para servidores administrativos e docentes.

Apoiar e fortalecer as representatividades estudantis em todos os Campi do Ifal, incentivar a ampliação da produção de pesquisa básica e aplicada, voltada a melhoria do Ensino e atendimento das necessidades de desenvolvimento sustentável da região.

Extra - Seu projeto de expansão (nos municípios alagoanos) do Ifal e quais as metas?
S.T - Consolidar a implantação dos campi de Arapiraca, Penedo, Maragogi e Piranhas,e transformar as Extensões dos municípios de Murici, São Miguel dos Campos e Santana do Ipanema em Campus. Pleitear junto ao MEC no próximo Programa de Expansão, pelo menos mais um Campus para a zona da Mata de Alagoas e um para o Benedito Bentes em Maceió.
Consolidada a construção desses Campi no interior, promover meios para que os mesmos desenvolvam uma verticalização do Ensino em todos os níveis (Técnico, Superior e Pós-Graduação), contribuindo através do Ensino, Pesquisa e Extensão, para o desenvolvimento dessas macro regiões do Estado de Alagoas.

Extra - Como Ifal vai tratar a série de denuncias de corrupção dentro da instituição?
S.T - Essas denuncias já estão sendo investigadas através dos Processo Admi-nistrativo Disciplinar (PADs), criados por Portaria Ministerial e com comissões formadas por servidores da CGU. Cabe a Reitoria do Ifal, dar as condições necessárias para que essas Comissões concluam seus trabalhos.